POR UMA AGÊNCIA PARA A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO


Nestes tempos dominados  pelo  coronavírus não parece haver razões para otimismo. E todos nós ficamos a nos perguntar: como será o nosso futuro? Como estará o Brasil  depois deste período tão difícil? Há muitas incertezas no ar...
Felizmente, uma coisa está clara: a criatividade, a imaginação, algumas de nossas melhores virtudes intelectuais  estão sendo desafiadas a  funcionar para lidar com dificuldades inesperadas.
E bem ou mal  as soluções vão surgindo... Algumas já estão por aí há muito tempo; outras  foram rejeitadas e agora renascem; algumas  novidades, todavia, até  nos entusiasmam. Há de tudo, o que é natural neste panorama de perplexidade .
Um setor da maior importância para a vida brasileira e das nações em geral, a educação, está sendo muito atingido pela crise atual. As aulas presenciais na educação básica, suspensas, prejudicam praticamente  todos os seus  alunos. E são muitos milhões...
No ensino superior a situação não é tão grave, graças à tecnologia que viabiliza a Educação a Distância (EAD) – a qual, segundo o Censo de 2018, já atendia a 24% do total de universitários.
As novas tecnologias  – que sempre enfrentaram grande resistência do establishment da educação – estão mostrando, neste caso específico, crítico, o seu inestimável valor prático. E resolvendo um problema monumental, em um setor da maior importância para o desenvolvimento nacional. Para mais de 2 milhões de universitários as atividades discentes seguirão normalmente enquanto quase 7 milhões de alunos do ensino superior presencial provavelmente serão prejudicados, privados de suas aulas. A não ser que seus estabelecimentos se  adaptem rapidamente  a essa modalidade de ensino. Afinal, os programas já utilizados na EAD  cobrem uma ampla gama de ramos da graduação.
O mesmo  deveria  ocorrer em relação aos sistemas de ensino básico: engendrar  uma reação válida às férias forçadas de seus alunos. O Brasil dispõe de uma grande quantidade de programas educacionais produzidos para a TV que neste momento podem ser preciosos, utilizados também na internet, para substituir as salas de aulas compulsoriamente vazias. No caso específico da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, temos o excelente acervo de programas produzidos pela empresa municipal MULTIRIO, acumulados desde a década dos 90.
O que é justo enfatizar  é que  uma característica do setor educacional brasileiro  sempre prejudicou a tão desejada melhoria da qualidade dos serviços prestados à sua clientela:  a resistência a qualquer  mudança em  suas práticas e processos. Consequentemente, nossa educação  funcionou e ainda funciona  como um grande obstáculo ao desenvolvimento de nosso país. Basta consultar os resultados das avaliações internacionais de qualidade do ensino. No PISA, da OCDE, o Brasil está sempre entre os últimos colocados nos testes de leitura, matemática e ciências aplicados a estudantes de idades entre 15 e 16 anos. Uma lástima.
Agora, na situação excepcional que estamos vivenciando, cresce a oportunidade de a EAD firmar-se como um meio adequado, aceito e prestigiado. Em verdade, os educadores brasileiros  típicos sempre a consideraram um ensino de segunda classe. Aquela educação que só é boa para “os filhos dos outros”. Da mesma forma que muitos ainda encaram o ensino técnico de nível médio, pois sua meta é sempre o diploma universitário.
A aplicação das novas tecnologias à educação tem, portanto, sua grande chance de firmar-se como instrumento confiável. Mas uma coisa é certa: é preciso tomar muito cuidado com a qualidade do ensino ministrado. Para muitos a educação é apenas  “um negócio da China”. E essa postura é tão perigosa quanto o coronavírus...
Falta no Brasil uma Agência de Qualidade da Educação. Talvez seja este o momento certo para criá-la.

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