EM FAVOR DA COORDENAÇÃO GERAL
Declarada a vacância do cargo ocupado por Jango Goulart, que
já saíra do país e se refugiara em sua fazenda no Uruguai, o Congresso, reunido
a 11 de abril de 1964, elegeu Humberto de Alencar Castello Branco para a
Presidência da República.
Castello Branco, que se revelou um estadista, procurou
compor um Ministério de alto nível. Dentro desse critério, convidou Roberto de
Oliveira Campos para o cargo de Ministro Extraordinário do Planejamento. O
Embaixador aceitou mas reivindicou ao Presidente uma alteração funcional:
conhecedor profundo da realidade brasileira pediu que se acrescentasse ao
título a “coordenação econômica”. E assim foi: Campos se tornou o Ministro
Extraordinário do Planejamento e Coordenação Econômica e teve um desempenho
excelente, apesar da situação crítica em que se encontrava o país após a
passagem dos aventureiros pró-comunismo que tramavam um golpe contra as instituições
democráticas nacionais.
A atribuição da
coordenação econômica a Roberto Campos foi fator decisivo para o sucesso da
gestão de Castello. Um dos vícios administrativos mais comuns no setor público
brasileiro sempre foi o desperdício, causado pela superposição de esforços para
a realização de uma mesma atividade – origem de ineficiência, ineficácia e
falta de efetividade estatal. Sob o comando do Ministro a farra acabou...
Atualmente, na descomunal crise que acomete a área de saúde,
com sérios reflexos na vida econômica do país, é essencial que os esforços de
todas as esferas governamentais sejam coordenados, de modo a evitar o duplo
comando, garantir sua harmonia e economicidade, com a remoção de pontos de
estrangulamento e choques de autoridade.
O Executivo, por imposição legal e pelo fato de deter a
maioria dos meios necessários à implementação dos projetos e atividades programados,
deve liderar essa coordenação.
No caso atual, na cruzada para combater os efeitos maléficos
do coronavírus, o Governo Federal encontra exatamente esse velho obstáculo da
falta de coordenação: alguns Governadores e Prefeitos, indiferentes às
desgraças da população, tomam medidas descabidas, de cunho político, para obter
dividendos eleitorais. Algumas dessas medidas são inconstitucionais, outras
ultrapassam os limites de competência legal. E estão multiplicando os danos que
a epidemia está causando ao povo, especialmente às camadas mais humildes,
desprovidas de meios econômicos, de poder de barganha, de vez e voz.
Há quem tente atribuir à
falta de capacidade de articulação do Executivo essa descoordenação.
Eufemismo! O que os adversários de Bolsonaro, inconformados com a derrota
eleitoral chamam de “capacidade de articulação” é o despudorado “toma lá dá cá”
a que se acostumaram muitos políticos brasileiros, cooptados por vários dos
governos que antecederam o atual.
Não se pode tolerar a rebeldia e insubordinação desses “políticos
menores” neste momento tão delicado da vida nacional. Na crise o duplo comando
é o caminho certo da derrota.
Os grandes líderes devem encorajar, mostrar destemor,
repelir o pânico. Lembremos que espalhar o pânico é exatamente o objetivo maior do
terrorismo.
O Governo Bolsonaro acertou em cheio na condução da crise do coronavírus: seguiu o exemplo de Castello Branco e nomeou um Coordenador dos esforços federais, necessariamente multidisciplinares e interministeriais - o Chefe da Casa Civil, General Braga Neto. Excelente escolha para uma estratégia perfeita.
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