UM FUTURO POSSÍVEL DO BOLSA FAMÍLIA



 Mudou o Ministro da Cidadania e por esse motivo arrisco-me a repetir uma ideia que defendi acerca do Programa Bolsa Família (PBF) anteriormente, na tentativa de sensibilizar o novo titular da Pasta:


PROFESSOR DE FAMÍLIA: AGENTE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
Para conseguir a emancipação da clientela dos programas de transferência de renda – que geralmente luta cotidianamente com uma constelação de problemas - é preciso ir ao seu encontro e auxiliá-la na busca dos caminhos da autonomia. Seu domicílio, identificado no cadastro do programa de transferência de renda, deve passar a ser pensado como um espaço privilegiado para a instrumentalização do processo de inclusão e a família, mais especificamente, deve ser vista como importante sujeito/objeto desse processo.
A proposta nesse sentido é que se institua, no âmbito dos programas compensatórios, a figura do “Professor de Família”, “nome fantasia” de um Agente de Desenvolvimento Humano que intervirá diretamente nos lares dos mais necessitados, vivendo na pobreza absoluta, e atuará sobre todos os seus membros – crianças, adolescentes, adultos e idosos. Sua atuação visará – principalmente (mas não exclusivamente) informá-los sobre as políticas públicas à sua disposição e especificamente encaminhá-los para órgãos do sistema de educação continuada disponíveis localmente, de modo a superar as eventuais barreiras da falta de conhecimento e competências.
Crianças e adolescentes dessas famílias - que geralmente não podem encontrar apoio escolar da família no seio de seus lares e por isso fracassam mais facilmente nos estudos – serão particularmente beneficiados com a assistência domiciliar que dará, aos que já estão no sistema educacional, um suporte importante para a realização dos trabalhos escolares, reduzindo as desigualdades hoje existentes e que a escola nem sempre consegue superar, por falta de tempo ou de um atendimento individualizado, centrado no aluno.
A ação do Professor de Família beneficiará igualmente aos jovens e adultos, inclusive os idosos. Estes, geralmente pouco qualificados, são os menos inclinados a iniciar uma elevação de escolaridade ou uma formação profissional adicional. Fazê-los retomar o trabalho e o estudo será meta do Agente. Adultos com esse perfil encontram muitas dificuldades: carecem das habilidades específicas para uma ocupação e também das competências básicas necessárias para todos os postos de trabalho, como aritmética, leitura, escrita, informática e habilidades da comunicação. Outra dificuldade é a atitude adequada para o emprego e a conduta no local de trabalho. Além disso, não conseguem informar-se sobre as oportunidades de emprego disponíveis e as agências públicas a que recorrem não abordam adequadamente esses problemas estruturais.
Para superar essa constelação de problemas é que se implantará, nas estruturas de assistência social, uma rede supervisionada de Agentes de Desenvolvimento Humano (Professor de Família), preferentemente formada por professores com experiência em trabalhos comunitários, para atuar nos domicílios da população em condições de pobreza e extrema pobreza que participam dos programas de transferência direta de renda.
O objetivo geral da Rede Supervisionada  é aumentar a probabilidade de inclusão produtiva, mediata e imediata, dos membros das famílias assistidas, por meio de uma atuação focada na elevação do nível educacional/profissional da clientela-alvo.
A Rede permitirá atingir alguns objetivos específicos da maior importância para o aperfeiçoamento da educação:
• melhoria do rendimento pedagógico das crianças e adolescentes escolarizados, pertencentes às famílias pobres e muito pobres atendidas pelo Programa;
• redução dos índices de reprovação e repetência no sistema formal de ensino;
• atenuação da distorção “série-idade”;
• aumento da mobilização de jovens e adultos para frequentar cursos de alfabetização, de elevação de escolaridade e de qualificação profissional, com crescimento das matrículas respectivas e redução da evasão dos já atendidos;
• mobilização das famílias para buscar oportunidades de matricular suas crianças nas creches e pré-escolas, ajudando-as  ─ e às autoridades locais ─ a superar as dificuldades para implantação das respectivas unidades de atendimento.














Comentários

  1. Caro amigo Arlindo. É com alegria que vejo seu retorno ao blog. Grande abraço.
    Haroldo Ledo.

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    1. Saudades do amigo Haroldo e muito bom saber que estamos em contacto. Abração

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    1. Obrigado Alain. Tomara que aconteça pois é essencial para dar iguais oportunidades a todos e elevar a qualidade de nossa educação.

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